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Meu nome é Agneta: quando o desejo volta a ter voz

A gente nem sempre percebe quando começa a desaparecer. A rotina continua, a casa funciona, os papéis são cumpridos, e o desejo vai aprendendo a falar baixo. Meu Nome é Agneta acompanha essa erosão silenciosa, até que uma mulher entende que ainda tem fome, corpo, graça e direito ao próprio nome.

A engrenagem do cansaço

Trabalhar virou prova de valor moral. Quem cansa deve respirar, meditar, reorganizar a agenda e sorrir melhor. Pouco se pergunta quem desenhou a máquina. Talvez porque a resposta estrague o verniz do bem-estar corporativo: certas empresas não querem pessoas saudáveis, querem colapsos discretos, produtivos, elegantes e ainda agradecidos no LinkedIn.

Cadê o Dra.?

Às vezes, bastam três letras e um ponto para revelar que a nobreza humana anda meio dependente da papelaria. Um envelope erra o título, a sala prende a respiração e, de repente, descobrimos que o ego também exige revisão ortográfica. Cadê o Dra.? Cadê todos nós nessa frase?

Edgar Morin: 104 anos de lucidez complexa

Morin morreu, mas sua obra permanece como uma inquietação viva: pensar é religar o que o mundo insiste em separar. Contra a pressa das certezas, ele nos deixou uma lucidez complexa, capaz de acolher erro, dúvida, contradição e humanidade. Talvez seja isso: não simplificar o mundo para suportá-lo melhor inteiro.

O intervalo das coisas vivas

O tempo não corre: somos nós que tropeçamos nele, carregando urgências como malas malfechadas. Quando paramos, alguma coisa nos alcança por dentro. Uma luz menor, quase tímida, reaprende o caminho da casa. Respirar, então, não interrompe a vida: devolve à vida sua largura esquecida e seu silêncio fértil.

Meu infinito particular, meu pensamento finito…

Entre pensamentos finitos e emoções infinitas, a clínica se inclina sobre aquilo que ainda não sabe falar. Cada sujeito traz um mar sem mapa, feito de sonho, memória e assombro. O analista escuta com sua pequena embarcação, sustentando a travessia quando o naufrágio humano ainda procura nome, sem pressa alguma.

A cor mais quente de um desencontro

E se o amor não fracassa por falta de intensidade, mas porque intensidade não constrói mundo? Alguns encontros abrem portas dentro de nós e, ainda assim, nos deixam do lado de fora da casa. A solidão mais profunda talvez comece quando o desejo arde, mas não encontra onde morar.

A cadeira, o manual e a masculinidade em parafusos

Comprei uma cadeira desmontada e, diante do manual, escolhi preservar minha dignidade lombar. Paguei alguém para montá-la. Nenhum alarme de masculinidade tocou, nenhum ancestral da chave Allen apareceu ofendido. Ganhei uma cadeira firme, uma hora livre e a suspeita de que virilidade demais talvez precise de ergonomia.

Quando a masculinidade confunde escuta com acusação

A partir do debate da GloboNews de 12 de maio, trago algumas reflexões sobre masculinidade, privilégio e responsabilidade. Questiono falsas equivalências, discursos defensivos e o uso da escuta como autoproteção. Pensar masculinidade exige reconhecer estruturas de poder, sustentar desconfortos e abandonar a necessidade de absolvição masculina.

A multidão dentro de um só: quando a mente cria personagens para sobreviver

The Crowded Room acompanha uma mente que se fragmenta para suportar o insuportável. Entre trauma, silêncio e sobrevivência psíquica, a série revela como certas defesas nascem do desamparo, não da mentira. Uma narrativa sobre dor, cuidado, escuta e a difícil travessia de transformar fragmentos em história.

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Eu sou Renne

Boas vindas! Este não é um site de respostas rápidas, é um espaço de escuta e reflexão…

Aqui, a psicologia e a psicanálise não aparecem como manuais de comportamento, mas como modos de pensar a experiência humana, suas contradições, seus impasses e suas delicadezas.

Então, se quiser, pegue um café ou uma água de coco e deixe que os textos encontrem o seu tempo.